Arquivo de Resistência

Um Pouco Cedo…

Desde há já algum tempo que as duas únicas pessoas que leio e ouço de forma incondicional no nosso país — pela inteligência, pela argúcia, pela ironia, pela simplicidade, pela coragem, pela simpatia — são o Ricardo Araújo Pereira e o Manuel António Pina.
Este último deixou-nos hoje.
São dele os últimos livros que eu li aos meus filhos e é dele a última crónica que eu li num jornal.
Poder-se-ia dizer que ficamos mais pobres. Neste caso, não. A herança que o Manuel António Pina nos deixou hoje é incomensurável. Sejamos dignos dela, mais que não seja para que não passe a ser ele, em definitivo, o último.

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António Sérgio (1950-2009)

Dou-me muito bem com a Morte. Sinto só a dor que causa quando a sombra que a segue apaga alguém que me ilumina.
António Sérgio, o último dos lobos resistentes, foi durante muito tempo o meu farol da margem.
Se agora não ficamos às escuras, é porque teve, ele, outro mérito enorme: o de acender, no seu percurso, milhares de novas outras luzes!

[Notícia do Público, 02.Nov.2009]
[Texto de Miguel Esteves Cardoso, 17.Set.2007]