Arquivo de Política

SE PARADOS

Porque a união nos faz fortes e o marasmo nos torna fracos…

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Autárquicas 2009

Autárquicas 2009

Se nas eleições legislativas, quem saiu claramente vitorioso foi o BE e o CDS e quem saiu derrotado foi o PS e o PSD, apenas duas semanas depois, nas autárquicas, aconteceu precisamente o inverso!
Um regresso à normalidade, portanto, tal qual como a conhecemos das experiências do passado.
Aqueles que haviam visto nos resultados de há 15 dias a consolidação de uma nova representatividade das diferentes forças partidárias no país, porque não entenderam nada do que havia ocorrido, vão ter agora que rever todas as suas conclusões.
Numa outra vertente de interesse, estas eleições revelaram que o nosso povo, ao retirar o poder a algumas figuras sinistras do cenário político (Fátima Felgueiras, Ferreira Torres, Narciso Miranda), não é tão ignorante quanto todos os indicadores indiciam. É lento, muito lento, a reagir, mas acaba sempre por lá chegar. Pena que os povos de Gondomar e de Oeiras se encontrem num nível mais retrógrado de desenvolvimento!…
Nota final para a taxa de abstenção, que persiste em aumentar. O silêncio de todas as forças partidárias sobre o assunto é bem revelador da ameaça que aí pressentem existir, isto porque é cada vez mais evidente que esta inacção popular se trata de uma forma consciente de protesto ao actual status quo político e não um mero alheamento ligeiro e irresponsável. Perante um espectro elegível tão miserável, cada vez mais pessoas deixa de alinhar na fantasia do “votar no menos mau”, pois compreenderam que fazê-lo significa, tão só, sancionar esse mesmo espectro.

Circunstanciamento

A ideia de que somos vítimas das circunstâncias é uma mera aparência.
Somos nós quem circunstancia o que somos!

As Filhas Góticas de Zapatero

Na semana passada uma notícia correu mundo, mas, curiosamente, em Portugal passou quase despercebida.
O motivo de tal buzz teve a ver com a forma “ousada” como as filhas do primeiro-ministro espanhol se apresentaram com os pais no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque durante a recepção oficial oferecida pelo casal Obama aos chefes de estado participantes na 64ª Assembleia Geral da ONU.
Esse facto nada teria de mais, se uma das fotos que habitualmente se tiram pela ocasião não tivesse sido colocada no site oficial do Departamento de Estado americano.
A publicação da foto de imediato levantou uma onda de protestos e levou a que fosse retirada do site ao fim de algumas horas, ao mesmo tempo que era proibida a sua divulgação. Mas era tarde de mais – a imagem já havia corrido mundo e provocado as mais variadas e incompreensíveis reacções.
O casal Zapatero, ao abrigo da lei que salvaguarda a privacidade de menores, sempre proibiu qualquer divulgação pública de imagens das suas filhas (13 e 16 anos). Esse facto pode explicar, em parte, o choque vivido em Espanha por esta apresentação das crianças, desconhecidas até então, mas não justifica, de todo, o teor quase xenófobo da maioria dos comentários.
As reacções de censura só vêm evidenciar que a maioria das pessoas ainda não deu conta que o mundo e os seus modelos de vida mudaram e que esta mudança, no caso oportunamente apadrinhada pelos Obama, veio para ficar.
Que mal vem ao mundo que uma pessoa se apresente vestida desta ou daquela maneira, neste ou naquele lugar, sobretudo quando se trata de uma criança, seja ela filha do cozinheiro da cantina, do reitor da escola ou do ministro da educação? E que diferença faz fazê-lo em estilo gótico ou beto da linha? Não são a Doc Martens e a Tommy Hilfiger apenas marcas, ambas de culto?
É, em tudo, risível esta novela!
Quem não cresceu fantasticamente assombrado pela silhueta de Batman, ou já não terá lido, deliciosamente aterrorizado, um qualquer romance de William Blake, Lord Byron, Friedrich Niezsche ou Edgar Allan Poe? E se tivermos em conta que um dos realizadores mais bem sucedidos e cultivados da actualidade é um gótico convicto – falamos de Tim Burton –, e de que o seu actor fetiche, Johnny Depp, não renega essas mesmas convicções – isto para mencionar só duas ilustres personas dos nossos dias –, não deixa de ser irónica, e mesmo patética, toda esta celeuma. Ainda por cima vindo isto de onde vem – um dos locais mais visitados em todo o mundo é precisamente o Bairro Gótico, em Barcelona, e Gaudi – para muitos, o maior arquitecto espanhol de sempre – o principal revitalizador da arte gótica em Espanha.
Bem, estiveram os pais Zapatero, que lhes concederam o direito de livre afirmação e, ainda melhor, o casal Obama, que não viu nisso qualquer motivo para melindre.

[sobre a cultura gótica]
[ver foto a cores em alta resolução]

(Pre)ocupações

Os que ainda se preocupam com o supérfluo e o acessório, é porque nada têm de essencial ou substancial com que se ocupar!

Legislativas 2009

Por muitas voltas que os líderes partidários se empenhem em dar – e nós sabemos bem as voltas que se dão nestas alturas –, dos resultados das recentes eleições legislativas, há a tirar três conclusões óbvias.
A primeira, que o CDS e o Bloco de Esquerda sairam vencedores e que o PS e o PSD sairam derrotados!
A segunda, que houve um claro empenhamento dos portugueses em tudo fazer para se verem livres destes dois líderes do bloco central – uma tarefa impossível, dado que um teria, infelizmente, que permanecer sempre.
Finalmente, que aqueles que não foram votar, nos quais me incluo, já representam mais votos do que qualquer um dos partidos a eleger. Pode bem ser que um dia, estes votos, que são cada vez mais do contra, ainda levem alguém ao poder!

Desilusões

Não podemos acusar os outros de nos terem desiludido.
A ilusão é um acto da nossa única e inteira responsabilidade!