FEIRA DAS VERDADES #001

Marcelo Rebelo de Sousa

[A propósito do último congresso do PSD, realizado em Fevereiro]

MARCELO REBELO DE SOUSA: 

o único astro que brilha, não só na sua galáxia de origem mas no total do cosmos político. O resto é quase tudo poeira interestelar (leia-se arraia-miúda).

Tristemente para as órbitas do Norte, o mais negro do apagado firmamento social-democrata continua a ser riscado pelos satélites do costume: os parolitos Luis Filipe Menezes, Aguiar-Branco e Marco António.

[Quanto ao aerólito Relvas, sem órbita regular, não passa de mais um calhau à deriva no espaço.]

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Não, No, Non, Nein

No

Há um sem-número de motivos para anuirmos a algo ou dizermos sim a alguém (por simpatia, por moda, por compromisso, por contrato, por submissão, por aspiração de pertença, por medo…), quase todos eles definindo apenas o nosso ser social.
Já quando dizemos não, é o nosso ser individual, o nosso verdadeiro carácter, que se afirma e manifesta.

Primavera Sound – Porto: Um Festival de Excepção?

Primavera Sound 2013

É verdade que na maioria dos festivais de Verão se costuma celebrar tudo menos a música, no que ela tem de mais autêntico enquanto expressão artística.
Não vou tão longe quanto o meu querido Edwyn Collins (Orange Juice), que proclama em “The Campaign For Real Rock”, o tema que abre o celebrado álbum Gorgeous George:
Yes here they come, both old and young
A contact low or high
The gathering of the tribes descending
Vultures from a caustic sky
The rotting carcase of July
And ugly sun hung out to dry
Your gorgeous hippy dreams are dying
Your frazzled brains are putrifying
Repackaged, sold and sanitized
The devil’s music exorcised
You live, you die, you lie, you lie, you die
Perpetuate the lie
Just to perpetuate the lie
Yes yes yes it’s the summer festival
The truly detestable
Summer Festival
.
O cenário nem sempre é assim tão deprimente, muito embora possa assegurar, pelas minhas inúmeras presenças neste tipo de evento, que poucas vezes a experiência vale totalmente a pena, a menos que se seja ainda adolescente inconsciente, dependente consciente ou estreante deslumbrado.
Desde as actuações a despachar até à uniformização da componente cénica, passando pela praga das longas filas para encher o estômago ou esvaziar a bexiga, tudo sob a dança do pó no ar quente de torrar ou sobre a lama no chão escorregadio de tombar, os festivais de Verão pouco variam entre si, cá dentro ou lá fora.
É verdade que nem todos os concertos são sofríveis, e aconteceu, de forma paradoxal, que os melhores momentos a que já assisti em espectáculos ao vivo tiveram lugar precisamente neste tipo de recinto. O concerto de Neil Young em Vilar de Mouros, em 2001, e o dos Arcade Fire em Paredes de Coura, em 2005, são disso exemplo, entre poucos outros.

O Festival de Paredes de Coura, aproveitando o enquadramento natural favorável, sempre se esforçou por afirmar-se com um registo diferente, mas não conseguiu ainda aquilo que foi patente na edição inaugural do Primavera Sound – Porto, no ano passado, onde tudo pareceu funcionar na perfeição. Pela primeira vez em toda a minha vida, senti um verdadeiro regozijo ao estar num espaço desta natureza. A impressão não foi seguramente só minha, pois o deleite era claramente visível na face de todos os participantes. Tanto, que os próprios artistas fizeram questão de o dizer, com microfone aberto, para que o resto do mundo pudesse ouvir. Não admira, esse sentimento, pois não é todos os dias que se actua num espaço verdejante tão aprazível como o Parque da Cidade do Porto, com o mar ali mesmo ao lado, perante uma plateia que parecia ter vindo dos quatro cantos do mundo, culta e sociável como eu nunca vira.

Este fim-de-semana tem lugar a segunda edição deste festival. Não sei se a magia que ocorreu no ano passado se irá repetir, mas que é imperativo lá ir averiguar, disso não tenho qualquer dúvida.

Todo o programa aqui:
www.optimusprimaverasound.com

Primavera Sound 2013

Em 2012 foi assim:
Primavera Sound – Porto: Resumo Canal 180

LIBERDADETICA

Etica-Liberdade

O sentido da ética e o da liberdade fazem parte da essência humana — não se ganham nem se perdem.
Já a moral e o livre-arbítrio dependem da sociedade em que se está inserido, e deverão observar sempre àqueles primeiro.

[Não falta quem confunda tudo, nem quem inverta os factores!…]

BE KIND, BE KIND; BE KIND.

A propósito de hoje, 13 de Novembro, se assinalar o World Kindness Day (Dia Mundial da Bondade), lembrei-me de um plano do filme “Shut Up and Play the Hits” — uma espécie de “The Last Waltz” deste milénio — que regista o último concerto dos absolutamente geniais LCD Soundsystem, no Madison Square Garden, NY.
A cena tem lugar no escritório do manager da banda, onde numa das paredes está exposto um poster em tipografia simples, mas a berrar-nos uma mensagem que nunca mais nos abandona o sub-consciente:
NOTE TO SELF: BE KIND, BE KIND; BE KIND.
De todas as imagens do filme — e o filme é brilhante e arrebatador, com muitos momentos de grande emocionalidade —, esta foi a que mais retive e mantenho presente, até porque é também a imagem que mais guardo do carácter de James Murphy.
Ser gentil, bondoso e generoso é algo que cada um de nós deve levar a sério, sempre, por muito que nos custe, em todos os momentos da nossa vida, com quem quer que seja!

[Print: “Note to Self: Be Kind, Be Kind; Be Kind.”, by Rob Reynolds]

New Chance to Change?

Na sequência da reeleição de Barack Obama para presidente dos E.U.A., vou lendo e ouvindo, por todo o lado, que “se o Obama não tivesse ganhado, deixava de acreditar nas pessoas e neste mundo, de vez”.
Entendo o sentimento geral, mas não pode deixar de levar-me a pensar que isso revela, antes de mais e de forma alarmante, que está tudo preso por pontas!…
Se assim for, como parece evidente sê-lo, porque tarda tanto o início da operação de mudança, de cada um de nós?
É que 4 anos já se foram!…

Felicidade a Tingir…