Arquivo de Desporto

Mundial 2010 – Kick In

Por muito desapaixonados ou imparciais que sejamos, todos nós temos os nossos amores e ódios de estimação, em todas as áreas da vida.
Eu tenho os meus, e se há coisa que adoro fazer com eles é acicatá-los o mais possível, sempre que uma oportunidade se apresenta.
No que toca ao futebol, e em especial a este Mundial na África do Sul, as minhas preferências vão direitinhas para a Espanha e a Argentina (para além de Portugal, como é óbvio). Escusam de me perguntar sobre as razões por detrás desta escolha, que eu não tenho qualquer resposta racionalmente válida para as sustentar. Poderia dissertar sobre os laços ancestrais que nos unem, sobre as culturas que ainda mantemos em comum, sobre a linha de fronteira que nos junta e não separa, ou ainda sobre o meu não-praticado inefável iberismo, mas não. Gosto de Espanha e gosto da Argentina, ponto final. Gosto dos países, dos povos e das culturas, mas sobretudo gosto do estilo de futebol que praticam.
Infelizmente, não acredito que nenhum deles chegue à final!… (Sobre a selecção portuguesa, já escrevi no post anterior).
Parece-me inevitável que os finalistas sejam dois dos três do costume: o Brasil e a Alemanha. (Aí, como não poderia deixar de ser, a minha preferência cai para o Brasil, mas a vitória não deve escapar aos germânicos.)
Logo veremos quem vence este Mundial. Até lá, numa altura em que se inicia a última série de jogos de cada grupo, aqui deixo as minhas previsões para o que irá acontecer até à final.
(As análises aos jogos e aos resultados das previsões serão feitas diariamente na secção de Comentários.)

Oitavos-de-Final:
Uruguai (A1) – Coreia do Sul (B2)
EUA (C1) – Sérvia (D2) [Gana]
Alemanha (D1) – Inglaterra (C2)
Argentina (B1) – México (A2)
Holanda (E1) – Itália (F2) [Eslováquia]
Brasil (G1) – Suíça (H2) [Chile]
Paraguai (F1) – Japão (E2)
Espanha (H1) – Portugal (G2)

Quartos-de-Final:
Holanda – Brasil
Uruguai – Sérvia [Gana]
Argentina – Alemanha
Paraguai – Espanha

Meias-Finais:
Uruguai – Brasil
Alemanha – Espanha

Final:
Brasil – Alemanha

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Nota posterior #1 (depois do fim da fase de grupos):
Nada mal! Em 16 equipas possíveis, acertei em 13! E exactamente em todas as classificações dos 8 grupos! Por isso, o quadro de previsões mantém toda a sua validade. Até porque as equipas que não previ passarem (Gana, Chile e Eslováquia), deverão perder os jogos já a seguir (hehehe!).
Será que entendo assim tanto de bola, terei algum poder divinatório que desconheça, ou não será só porque as coisas, todas as coisas, nesta vida, não são assim tão misteriosas, nem imprevisíveis, como imaginamos serem?…
De salientar, a lamentável surpreendente eliminação de quase todas as selecções do continente africano na fase de grupos — das 6, sobrou apenas o Gana.
Também a destacar, a baixa percentagem de selecções da Europa que passaram aos oitavos-de-final. No Mundial de 2006, tinham sido 10! Em 2002: 9. Em 1998: 10. Em 1994: 10. Em 1990, 10. E em 1986, 10. Isto é, desde que no México 86 se aboliu a segunda série de grupos, são apurados 10 colectivos europeus entre os 16 melhores, mas na África do Sul essa média caiu em 40%.
Finalmente, registar a qualificação de um anormal elevado número de países ibero-americanos (8 em 16). Será isto um sinal de alerta para a necessidade de revitalização do conceito glorioso do período dos Descobrimentos, quando Portugal e a Espanha viraram as costas à Europa e dirigiram todas as suas atenções para o enorme potencial que o imenso Atlântico encerrava?

Nota posterior #2 (depois dos oitavos-de-final):
A assertividade mantém-se! Das 8 selecções que passaram aos quartos-de-final, acertei em 7. E, independentemente do erro prévio do Gana, acertei exactamente nas 8 equipas que ficaram pelo caminho.
Relembro que a totalidade destas previsões foram realizadas a meio da fase de grupos, depois de ter assistido a um ou dois jogos de cada equipa. Curiosamente, se refizesse agora as previsões para os quartos, não alteraria nada, muito embora gostasse de ver o Gana chegar às meias-finais.
O que se salientou na nota anterior, mantém-se, e, a situação das selecções ibero-americanas, ainda aumentou. Das 8 últimas, 5 falam espanhol ou português. Pena que Portugal já não esteja nesse grupo!…

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Mundial 2010 – Kick Off

O destino de Portugal parece estar já todo claramente escrito na sebenta dos mais iluminados que seguem atentamente o Mundial 2010.
Apesar de acreditar muito no mérito e na competência do professor Carlos Queiroz (mil léguas acima da enorme mentira que era Filipe “Vendedor-de-Bandeiras” Scolari), não me parece, também a mim, que a selecção portuguesa tenha muitas hipóteses de alcançar um resultado memorável neste campeonato. Não deverá ter grandes complicações em ultrapassar as tormentas da fase de grupos, mas, por um capricho do sorteio, não tenho a boa esperança de que passe o primeiro jogo a eliminar.
Tendo em consideração que só por uma enorme conjugação de factores extraordinários não ficaremos em segundo lugar do grupo G, teremos de jogar logo a seguir contra a vizinha Espanha (provável primeira classificada do grupo H). E ainda que contando, desta vez, com Cristiano Ronaldo, Pepe, Duda, Miguel, Tiago e Simão Sabrosa a jogar do nosso lado e não do deles, não teremos — como a PT também não terá contra a Telefónica — argumentos suficientes para bater a sólida fúria hispânica.
Não que os nossos jogadores sejam muito inferiores em termos de técnica aos nossos rivais. Não são, e alguns deles até serão melhores. A diferença está no carácter do ser português. Basta seguir o nosso futebol minimamente de perto para perceber a debilidade da estrutura mental de quase todos eles. Não passam de meninos mimados, sem qualquer estofo de lutadores ou espírito de campeões. São fracos do ponto de vista cultural e a única coisa que lhes vai na cabeça é a preocupação de dar nas vistas, tal como o faz todo o novo-rico de qualquer área de actividade. Foi assim há 500 anos e é assim ainda agora.
Não admira, por isso, que a maioria do nosso povo se reveja tão nitidamente nas figuras de Nani, Miguel Veloso e Cristiano Ronaldo e não nas de Mourinho, José Peseiro ou Carlos Queiroz.

Estrelas e Meteoritos, Vuvuzelas e Apitos

Quem não tem o brilho do Sol, devia, pelo menos, brilhar como a Lua.

Jesualdo: O Elo Mais Fraco!

Nunca gostei de Jesualdo Ferreira enquanto treinador. Não gostava dele nas equipas onde esteve no passado e muito menos gosto dele no F.C. Porto.
Entendo que é um treinador sobre-avaliado, pouco questionado, e que o trabalho e os resultados que ele conseguiu no Dragão teriam sido obtidos de igual forma por qualquer outro treinador mediano.
Nunca criou um modelo de jogo que se sentisse ser trabalho dele, não sistematiza situações tipo, não tira verdadeiro partido do potencial dos jogadores, não sabe ler o evoluir das partidas e tarda em tomar decisões.
O F.C. Porto só conseguiu os resultados dos últimos anos graças à estrutura da organização do clube e ao valor individual dos seus jogadores: Quaresma, Lucho, Lisandro, Paulo Assunção, Bosingwa, Bruno Alves, Hulk, Falcão, e agora Varela e Ruben Micael.
Uma equipa como o F.C. Porto não pode ter no seu comando alguém tão destituído de génio quanto de coragem como é o caso do senhor Jesualdo. Pena não se ter seguido à risca a filosofia de nunca se manter um treinador por mais de 3 anos na liderança da equipa!…
O problema já era perceptível nas épocas anteriores — acontece que este ano a situação é agravada pelo facto evidente de a equipa sofrer de um enorme déficit de inteligência! Não há ninguém a pensar bem na equipa. A começar nos jogadores e a acabar no treinador! Quem tinha inteligência já saiu. Ficou a vontade, algum jeito de pés, mas mais nada.
É por isso que esta época, para além da Taça de Portugal, não haverá títulos no Dragão. A eliminação hoje em Londres é mais que esperada e na final da Taça da Liga com o Benfica só se espera que não haja goleada! Do campeonato, nem vale a pena falar!…
Professor (não sei bem de quê!): a Grécia espera por si!

Apagamento

Não tenho por hábito apagar pessoas da minha vida, mas também não costumo ter alguém apagado nela!

A Águia Nacional-Fantasista

É de bradar aos céus d’Allah, toda esta euforia bacoca em torno do clube dos 6 milhões de analfabetos funcionais (aqueles cujo presidente diz que “pelo peixe morre a boca”)!
Nem no tempo do império-por-cumprir o vermelho parecia tão en-carna-do (ainda que isto de ser lampião nunca passe da flor da pele)!
Ele é o “este ano é como no tempo do Eusébio”, o “a europa do futebol tem os olhos na Luz”, e até o pacóvio deslumbrado J.J. diz que “este ano, se nos deixarem, vamos ser campeões, bi-campeões e até tri-campeões!”.
Na verdade, com o tratamento de privilégio que está a ser dado ao Benfica e com tanto penalty forjado que já se vê e adivinha, admirará pouco que o velho Pantera Negra ainda venha a ser o Bota de Ouro desta época; não surpreenderá, da mesma forma, que a Europa do futebol se fixe na Luz – que a europa do benfica é a do Chipre, Turquia, Croácia e Macedónia e nestes também os momentos de glória são sempre fixados no canal Memória – e, por fim, ninguém pestanejará quando a Liga lhes atribuir um tri-campeonato já nesta época, pois com a falência do país que se anuncia, bem poderá nem haver campeonato nos tempos mais próximos e a coisa fica já resolvida sem mais escândalo!
Tivessem outros clubes beneficiado de metade desta ribalta, e o Braga teria ficado já o ano passado em terceiro, o Sporting ficaria de novo este ano em segundo, e o F.C. Porto seria sempre desde há 35 anos o campeão!

Manipulações

Este dom que algumas pessoas têm em iludir-nos permanentemente com histórias manipuladas, plenas de fé e esperança, devia levá-las ao cinema ou à literatura e não à gestão de um clube ou ao governo da nação!