Arquivo de Junho, 2010

Mundial 2010 – Kick In

Por muito desapaixonados ou imparciais que sejamos, todos nós temos os nossos amores e ódios de estimação, em todas as áreas da vida.
Eu tenho os meus, e se há coisa que adoro fazer com eles é acicatá-los o mais possível, sempre que uma oportunidade se apresenta.
No que toca ao futebol, e em especial a este Mundial na África do Sul, as minhas preferências vão direitinhas para a Espanha e a Argentina (para além de Portugal, como é óbvio). Escusam de me perguntar sobre as razões por detrás desta escolha, que eu não tenho qualquer resposta racionalmente válida para as sustentar. Poderia dissertar sobre os laços ancestrais que nos unem, sobre as culturas que ainda mantemos em comum, sobre a linha de fronteira que nos junta e não separa, ou ainda sobre o meu não-praticado inefável iberismo, mas não. Gosto de Espanha e gosto da Argentina, ponto final. Gosto dos países, dos povos e das culturas, mas sobretudo gosto do estilo de futebol que praticam.
Infelizmente, não acredito que nenhum deles chegue à final!… (Sobre a selecção portuguesa, já escrevi no post anterior).
Parece-me inevitável que os finalistas sejam dois dos três do costume: o Brasil e a Alemanha. (Aí, como não poderia deixar de ser, a minha preferência cai para o Brasil, mas a vitória não deve escapar aos germânicos.)
Logo veremos quem vence este Mundial. Até lá, numa altura em que se inicia a última série de jogos de cada grupo, aqui deixo as minhas previsões para o que irá acontecer até à final.
(As análises aos jogos e aos resultados das previsões serão feitas diariamente na secção de Comentários.)

Oitavos-de-Final:
Uruguai (A1) – Coreia do Sul (B2)
EUA (C1) – Sérvia (D2) [Gana]
Alemanha (D1) – Inglaterra (C2)
Argentina (B1) – México (A2)
Holanda (E1) – Itália (F2) [Eslováquia]
Brasil (G1) – Suíça (H2) [Chile]
Paraguai (F1) – Japão (E2)
Espanha (H1) – Portugal (G2)

Quartos-de-Final:
Holanda – Brasil
Uruguai – Sérvia [Gana]
Argentina – Alemanha
Paraguai – Espanha

Meias-Finais:
Uruguai – Brasil
Alemanha – Espanha

Final:
Brasil – Alemanha

—————
Nota posterior #1 (depois do fim da fase de grupos):
Nada mal! Em 16 equipas possíveis, acertei em 13! E exactamente em todas as classificações dos 8 grupos! Por isso, o quadro de previsões mantém toda a sua validade. Até porque as equipas que não previ passarem (Gana, Chile e Eslováquia), deverão perder os jogos já a seguir (hehehe!).
Será que entendo assim tanto de bola, terei algum poder divinatório que desconheça, ou não será só porque as coisas, todas as coisas, nesta vida, não são assim tão misteriosas, nem imprevisíveis, como imaginamos serem?…
De salientar, a lamentável surpreendente eliminação de quase todas as selecções do continente africano na fase de grupos — das 6, sobrou apenas o Gana.
Também a destacar, a baixa percentagem de selecções da Europa que passaram aos oitavos-de-final. No Mundial de 2006, tinham sido 10! Em 2002: 9. Em 1998: 10. Em 1994: 10. Em 1990, 10. E em 1986, 10. Isto é, desde que no México 86 se aboliu a segunda série de grupos, são apurados 10 colectivos europeus entre os 16 melhores, mas na África do Sul essa média caiu em 40%.
Finalmente, registar a qualificação de um anormal elevado número de países ibero-americanos (8 em 16). Será isto um sinal de alerta para a necessidade de revitalização do conceito glorioso do período dos Descobrimentos, quando Portugal e a Espanha viraram as costas à Europa e dirigiram todas as suas atenções para o enorme potencial que o imenso Atlântico encerrava?

Nota posterior #2 (depois dos oitavos-de-final):
A assertividade mantém-se! Das 8 selecções que passaram aos quartos-de-final, acertei em 7. E, independentemente do erro prévio do Gana, acertei exactamente nas 8 equipas que ficaram pelo caminho.
Relembro que a totalidade destas previsões foram realizadas a meio da fase de grupos, depois de ter assistido a um ou dois jogos de cada equipa. Curiosamente, se refizesse agora as previsões para os quartos, não alteraria nada, muito embora gostasse de ver o Gana chegar às meias-finais.
O que se salientou na nota anterior, mantém-se, e, a situação das selecções ibero-americanas, ainda aumentou. Das 8 últimas, 5 falam espanhol ou português. Pena que Portugal já não esteja nesse grupo!…

Horizontes e Barreiras, Visões e Cegueiras

Visionário é aquele que consegue ver bem longe, sem perder de vista o que está à frente dos olhos.

Mundial 2010 – Kick Off

O destino de Portugal parece estar já todo claramente escrito na sebenta dos mais iluminados que seguem atentamente o Mundial 2010.
Apesar de acreditar muito no mérito e na competência do professor Carlos Queiroz (mil léguas acima da enorme mentira que era Filipe “Vendedor-de-Bandeiras” Scolari), não me parece, também a mim, que a selecção portuguesa tenha muitas hipóteses de alcançar um resultado memorável neste campeonato. Não deverá ter grandes complicações em ultrapassar as tormentas da fase de grupos, mas, por um capricho do sorteio, não tenho a boa esperança de que passe o primeiro jogo a eliminar.
Tendo em consideração que só por uma enorme conjugação de factores extraordinários não ficaremos em segundo lugar do grupo G, teremos de jogar logo a seguir contra a vizinha Espanha (provável primeira classificada do grupo H). E ainda que contando, desta vez, com Cristiano Ronaldo, Pepe, Duda, Miguel, Tiago e Simão Sabrosa a jogar do nosso lado e não do deles, não teremos — como a PT também não terá contra a Telefónica — argumentos suficientes para bater a sólida fúria hispânica.
Não que os nossos jogadores sejam muito inferiores em termos de técnica aos nossos rivais. Não são, e alguns deles até serão melhores. A diferença está no carácter do ser português. Basta seguir o nosso futebol minimamente de perto para perceber a debilidade da estrutura mental de quase todos eles. Não passam de meninos mimados, sem qualquer estofo de lutadores ou espírito de campeões. São fracos do ponto de vista cultural e a única coisa que lhes vai na cabeça é a preocupação de dar nas vistas, tal como o faz todo o novo-rico de qualquer área de actividade. Foi assim há 500 anos e é assim ainda agora.
Não admira, por isso, que a maioria do nosso povo se reveja tão nitidamente nas figuras de Nani, Miguel Veloso e Cristiano Ronaldo e não nas de Mourinho, José Peseiro ou Carlos Queiroz.

Estrelas e Meteoritos, Vuvuzelas e Apitos

Quem não tem o brilho do Sol, devia, pelo menos, brilhar como a Lua.