R.I.P. Alex Chilton (1950-2010)

Alex Chilton, um dos meus músicos favoritos, morreu no passado dia 17 de Março, em New Orleans, vítima de ataque cardíaco, deixando para trás uma carreira marcada pela genialidade criativa e por uma atitude sempre arredada dos interesses mais comerciais da indústria musical.
Conhecido sobretudo como líder e vocalista dos Big Star, Chilton é um daqueles artistas que, apesar de ter vivido grande parte da sua vida num quase absoluto anonimato para o grande público, granjeou subterraneamente um culto que ultrapassa em larga escala muitas das estrelas rock mais conhecidas.
A sua carreira musical, algo errante, teve três fases bem distintas. Uma primeira, no final dos anos 60, em Memphis, como vocalista dos Box Tops, um grupo semi-fake de soul e rhythm’n’blues. Apesar de serem todos brancos, ou por causa disso, conseguiram atingir em 1967 o nº1 do top americano com a canção “The Letter”. Mais tarde, no início dos anos 70, ainda em Memphis, mas já no grupo Big Star – talvez a banda americana de maior culto depois dos Velvet Underground – editou três excelentes álbuns: #1 Record (1972), Radio City (1974), ambos fortemente influenciados pelo som dos Beatles e dos Byrds, e Third/Sister Lovers, o mais brilhante e personalizado trabalho de Alex Chilton (editado só em 1978, apesar de concluído em 1975). Enquanto a maioria dos grupos da época andava entretido com teclados triplos, a entreter-nos com tretas de progressões e sinfonismos naquele que pretendiam ser o rock do futuro, os Big Star andavam mais empenhados em inventar de forma simples o som que as melhores bandas de hoje realmente fazem.
Depois da separação dos Big Star, Chilton mudou-se para Nova Iorque e aí deu início a uma carreira a solo que teve tanto de irregular quanto de seminal. Desta fase, enquanto músico, merece atenção especial a edição do álbum Like Flies on Sherbert (1979) e, como produtor, o trabalho realizado nos dois primeiros discos dos Cramps e em vários dos Panther Burns de Tav Falco.
Para além destas duas, outras bandas como os R.E.M., Teenage Fanclub, Beck, Replacements, dB’s, Primal Scream, Jon Spencer Blues Explosion, Posies ou Wilco reconhecem abertamente a influência do trabalho do compositor, multi-instrumentista e produtor e prestam-lhe hoje o tributo devido.

Playlist (YouTube) de alguns dos melhores temas de Alex Chilton, para escutar sempre:
1: September Gurls
2: Thank You Friends
3: Ballad of El Goodo
4: Thirteen
5: Kangaroo
6: Holocaust
7: Take It Off

Para um conhecimento mais aprofundado da importância de Alex Chilton, recomendo a leitura de:
The Life and Music of Alex Chilton
[artigo de Joe Tangari, publicado no site Pitchfork, em 22/Março/2010]

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