Ler É Um Acto Solidário!
“É magnífico! Obrigada por partilhar a Vida!”
— Helena Oliveira.
“Após leitura cuidada do livro, penso que o melhor elogio que posso fazer é encomendar mais dois… Parabéns!”
— Hugo Simões
“Parabéns pelo livro, deveras um trabalho feito com muito amor, e cheio de essência e beleza.”
— João Pedro Murteira
“Obrigada! Não esperava receber tanta Qualidade! Estou encantada com esta obra….só a introdução já toca a alma, e de que maneira!!!”
— Diana Antunes
“O livro é realmente bom e ficamos todos a ganhar.”
— Miguel Carvela
(Estes são alguns dos comentários de pessoas que adquiriram o livro “Percursos de Vida”, de José António Salcedo)
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Para quem ainda não se apercebeu do real interesse da campanha “Ler É Um Acto Solidário“, aqui vai uma curta apresentação:
1) Tudo começou com o relançamento do livro “Percursos de Vida” (um álbum de fotos e textos de excepcional qualidade), de José António Salcedo (cientista, professor catedrático e empresário inovador, de reconhecido mérito, nacional e internacional).
2) O autor decidiu abdicar de qualquer receita referente ao livro e doar todo o montante a uma instituição de solidariedade social, a A.A.P.C. (Associação Apoio a Pessoas com Cancro).
3) Para além disso, porque não há quaisquer objectivos lucrativos por parte do autor, e sem intermediários, este relançamento permite um desconto de 50% no preço de capa.
Com o desconto, o livro é vendido a apenas 20€ (portes de envio já incluídos).
Assim sendo, na aquisição do livro todos ficam a ganhar:
— o autor vê a sua obra divulgada;
— a A.A.P.C. beneficia de uma ajuda extraordinária;
— o comprador fica com uma obra de qualidade por baixo preço.
Na primeira fase da campanha, reduzida a pequenas acções no Facebook, conseguiu-se reunir uma quantia de cerca de 2.000€, prontamente transferida pelo autor para conta da A.A.P.C..
Agora, queremos mais!
Há cerca de 700 exemplares do livro para vender (garante-se que não haverá edições posteriores).
Se se venderem todos, é fácil perceber o fantástico montante que reverterá para a A.A.P.C..
Para quê desbaratar 20€ num livro de um qualquer escritor que escreve sobre banalidades, numa cadeia de lojas de uma multinacional cuja única preocupação é obter o lucro fácil e imediato?
Por esse montante, pode adquirir uma obra excelente, com um valor de mercado muito superior, e contribuir directamente para uma Associação de solidariedade que presta apoio e assistência, no terreno, a pessoas carentes portadoras de cancro. Muito mais avisado do que o entregar a um qualquer instituto do Estado de actividade duvidosa.
Esperamos poder contar com o apoio de todos. Não deixe de colaborar!
Muito obrigado!
Para encomendar o livro, vá a:
encomendar livro
Para saber tudo sobre o livro, vá a:
percursosdevida.wordpress.com
Saiba mais, na página do facebook:
facebook/percursosdevida
Causas e Cursos, Milagres e Percursos
«A vida é um milagre. Possivelmente, será até o único milagre.»
José António Salcedo, in “Percursos de Vida”, E agora… como vai ser o futuro?
Chegaram os Mediterrakeos!
Depois de alguns anos a colaborar com o meu amigo mediterrakeo José Carlos Soares, em diversos projectos pontuais, essa colaboração evoluiu agora para a criação de um colectivo de acção cultural de nome… Mediterrakeo. Só podia!
Basicamente, o que se pretende fazer na Mediterrakeo é tornar possível a concretização das ideias criativas de cada pessoa. Para além das criações próprias, estamos disponíveis para colaborar com quaisquer entidades (particulares, associações, empresas ou instituições oficiais) desde que o projecto apresentado nos pareça aliciante.
Saiba tudo aqui: Mediterrakeo!
Buracos e Furos, Passados e Futuros
Podemos, em qualquer momento da nossa vida, pôr cobro a tudo o que somos e dar início a uma nova vida, sem as marcas de um passado meramente circunstancial.
Mundial 2010 – Kick In

Por muito desapaixonados ou imparciais que sejamos, todos nós temos os nossos amores e ódios de estimação, em todas as áreas da vida.
Eu tenho os meus, e se há coisa que adoro fazer com eles é acicatá-los o mais possível, sempre que uma oportunidade se apresenta.
No que toca ao futebol, e em especial a este Mundial na África do Sul, as minhas preferências vão direitinhas para a Espanha e a Argentina (para além de Portugal, como é óbvio). Escusam de me perguntar sobre as razões por detrás desta escolha, que eu não tenho qualquer resposta racionalmente válida para as sustentar. Poderia dissertar sobre os laços ancestrais que nos unem, sobre as culturas que ainda mantemos em comum, sobre a linha de fronteira que nos junta e não separa, ou ainda sobre o meu não-praticado inefável iberismo, mas não. Gosto de Espanha e gosto da Argentina, ponto final. Gosto dos países, dos povos e das culturas, mas sobretudo gosto do estilo de futebol que praticam.
Infelizmente, não acredito que nenhum deles chegue à final!… (Sobre a selecção portuguesa, já escrevi no post anterior).
Parece-me inevitável que os finalistas sejam dois dos três do costume: o Brasil e a Alemanha. (Aí, como não poderia deixar de ser, a minha preferência cai para o Brasil, mas a vitória não deve escapar aos germânicos.)
Logo veremos quem vence este Mundial. Até lá, numa altura em que se inicia a última série de jogos de cada grupo, aqui deixo as minhas previsões para o que irá acontecer até à final.
(As análises aos jogos e aos resultados das previsões serão feitas diariamente na secção de Comentários.)
Oitavos-de-Final:
Uruguai (A1) – Coreia do Sul (B2)
EUA (C1) – Sérvia (D2) [Gana]
Alemanha (D1) – Inglaterra (C2)
Argentina (B1) – México (A2)
Holanda (E1) – Itália (F2) [Eslováquia]
Brasil (G1) – Suíça (H2) [Chile]
Paraguai (F1) – Japão (E2)
Espanha (H1) – Portugal (G2)
Quartos-de-Final:
Holanda – Brasil
Uruguai – Sérvia [Gana]
Argentina – Alemanha
Paraguai – Espanha
Meias-Finais:
Uruguai – Brasil
Alemanha – Espanha
Final:
Brasil – Alemanha
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Nota posterior #1 (depois do fim da fase de grupos):
Nada mal! Em 16 equipas possíveis, acertei em 13! E exactamente em todas as classificações dos 8 grupos! Por isso, o quadro de previsões mantém toda a sua validade. Até porque as equipas que não previ passarem (Gana, Chile e Eslováquia), deverão perder os jogos já a seguir (hehehe!).
Será que entendo assim tanto de bola, terei algum poder divinatório que desconheça, ou não será só porque as coisas, todas as coisas, nesta vida, não são assim tão misteriosas, nem imprevisíveis, como imaginamos serem?…
De salientar, a lamentável surpreendente eliminação de quase todas as selecções do continente africano na fase de grupos — das 6, sobrou apenas o Gana.
Também a destacar, a baixa percentagem de selecções da Europa que passaram aos oitavos-de-final. No Mundial de 2006, tinham sido 10! Em 2002: 9. Em 1998: 10. Em 1994: 10. Em 1990, 10. E em 1986, 10. Isto é, desde que no México 86 se aboliu a segunda série de grupos, são apurados 10 colectivos europeus entre os 16 melhores, mas na África do Sul essa média caiu em 40%.
Finalmente, registar a qualificação de um anormal elevado número de países ibero-americanos (8 em 16). Será isto um sinal de alerta para a necessidade de revitalização do conceito glorioso do período dos Descobrimentos, quando Portugal e a Espanha viraram as costas à Europa e dirigiram todas as suas atenções para o enorme potencial que o imenso Atlântico encerrava?
Nota posterior #2 (depois dos oitavos-de-final):
A assertividade mantém-se! Das 8 selecções que passaram aos quartos-de-final, acertei em 7. E, independentemente do erro prévio do Gana, acertei exactamente nas 8 equipas que ficaram pelo caminho.
Relembro que a totalidade destas previsões foram realizadas a meio da fase de grupos, depois de ter assistido a um ou dois jogos de cada equipa. Curiosamente, se refizesse agora as previsões para os quartos, não alteraria nada, muito embora gostasse de ver o Gana chegar às meias-finais.
O que se salientou na nota anterior, mantém-se, e, a situação das selecções ibero-americanas, ainda aumentou. Das 8 últimas, 5 falam espanhol ou português. Pena que Portugal já não esteja nesse grupo!…
Horizontes e Barreiras, Visões e Cegueiras
Visionário é aquele que consegue ver bem longe, sem perder de vista o que está à frente dos olhos.
Mundial 2010 – Kick Off
O destino de Portugal parece estar já todo claramente escrito na sebenta dos mais iluminados que seguem atentamente o Mundial 2010.
Apesar de acreditar muito no mérito e na competência do professor Carlos Queiroz (mil léguas acima da enorme mentira que era Filipe “Vendedor-de-Bandeiras” Scolari), não me parece, também a mim, que a selecção portuguesa tenha muitas hipóteses de alcançar um resultado memorável neste campeonato. Não deverá ter grandes complicações em ultrapassar as tormentas da fase de grupos, mas, por um capricho do sorteio, não tenho a boa esperança de que passe o primeiro jogo a eliminar.
Tendo em consideração que só por uma enorme conjugação de factores extraordinários não ficaremos em segundo lugar do grupo G, teremos de jogar logo a seguir contra a vizinha Espanha (provável primeira classificada do grupo H). E ainda que contando, desta vez, com Cristiano Ronaldo, Pepe, Duda, Miguel, Tiago e Simão Sabrosa a jogar do nosso lado e não do deles, não teremos — como a PT também não terá contra a Telefónica — argumentos suficientes para bater a sólida fúria hispânica.
Não que os nossos jogadores sejam muito inferiores em termos de técnica aos nossos rivais. Não são, e alguns deles até serão melhores. A diferença está no carácter do ser português. Basta seguir o nosso futebol minimamente de perto para perceber a debilidade da estrutura mental de quase todos eles. Não passam de meninos mimados, sem qualquer estofo de lutadores ou espírito de campeões. São fracos do ponto de vista cultural e a única coisa que lhes vai na cabeça é a preocupação de dar nas vistas, tal como o faz todo o novo-rico de qualquer área de actividade. Foi assim há 500 anos e é assim ainda agora.
Não admira, por isso, que a maioria do nosso povo se reveja tão nitidamente nas figuras de Nani, Miguel Veloso e Cristiano Ronaldo e não nas de Mourinho, José Peseiro ou Carlos Queiroz.
Estrelas e Meteoritos, Vuvuzelas e Apitos
Quem não tem o brilho do Sol, devia, pelo menos, brilhar como a Lua.
R.I.P. Alex Chilton (1950-2010)
Alex Chilton, um dos meus músicos favoritos, morreu no passado dia 17 de Março, em New Orleans, vítima de ataque cardíaco, deixando para trás uma carreira marcada pela genialidade criativa e por uma atitude sempre arredada dos interesses mais comerciais da indústria musical.
Conhecido sobretudo como líder e vocalista dos Big Star, Chilton é um daqueles artistas que, apesar de ter vivido grande parte da sua vida num quase absoluto anonimato para o grande público, granjeou subterraneamente um culto que ultrapassa em larga escala muitas das estrelas rock mais conhecidas.
A sua carreira musical, algo errante, teve três fases bem distintas. Uma primeira, no final dos anos 60, em Memphis, como vocalista dos Box Tops, um grupo semi-fake de soul e rhythm’n'blues. Apesar de serem todos brancos, ou por causa disso, conseguiram atingir em 1967 o nº1 do top americano com a canção “The Letter”. Mais tarde, no início dos anos 70, ainda em Memphis, mas já no grupo Big Star – talvez a banda americana de maior culto depois dos Velvet Underground – editou três excelentes álbuns: #1 Record (1972), Radio City (1974), ambos fortemente influenciados pelo som dos Beatles e dos Byrds, e Third/Sister Lovers, o mais brilhante e personalizado trabalho de Alex Chilton (editado só em 1978, apesar de concluído em 1975). Enquanto a maioria dos grupos da época andava entretido com teclados triplos, a entreter-nos com tretas de progressões e sinfonismos naquele que pretendiam ser o rock do futuro, os Big Star andavam mais empenhados em inventar de forma simples o som que as melhores bandas de hoje realmente fazem.
Depois da separação dos Big Star, Chilton mudou-se para Nova Iorque e aí deu início a uma carreira a solo que teve tanto de irregular quanto de seminal. Desta fase, enquanto músico, merece atenção especial a edição do álbum Like Flies on Sherbert (1979) e, como produtor, o trabalho realizado nos dois primeiros discos dos Cramps e em vários dos Panther Burns de Tav Falco.
Para além destas duas, outras bandas como os R.E.M., Teenage Fanclub, Beck, Replacements, dB’s, Primal Scream, Jon Spencer Blues Explosion, Posies ou Wilco reconhecem abertamente a influência do trabalho do compositor, multi-instrumentista e produtor e prestam-lhe hoje o tributo devido.
Playlist (YouTube) de alguns dos melhores temas de Alex Chilton, para escutar sempre:
1: September Gurls
2: Thank You Friends
3: Ballad of El Goodo
4: Thirteen
5: Kangaroo
6: Holocaust
7: Take It Off
Para um conhecimento mais aprofundado da importância de Alex Chilton, recomendo a leitura de:
The Life and Music of Alex Chilton
[artigo de Joe Tangari, publicado no site Pitchfork, em 22/Março/2010]
Jesualdo: O Elo Mais Fraco!
Nunca gostei de Jesualdo Ferreira enquanto treinador. Não gostava dele nas equipas onde esteve no passado e muito menos gosto dele no F.C. Porto.
Entendo que é um treinador sobre-avaliado, pouco questionado, e que o trabalho e os resultados que ele conseguiu no Dragão teriam sido obtidos de igual forma por qualquer outro treinador mediano.
Nunca criou um modelo de jogo que se sentisse ser trabalho dele, não sistematiza situações tipo, não tira verdadeiro partido do potencial dos jogadores, não sabe ler o evoluir das partidas e tarda em tomar decisões.
O F.C. Porto só conseguiu os resultados dos últimos anos graças à estrutura da organização do clube e ao valor individual dos seus jogadores: Quaresma, Lucho, Lisandro, Paulo Assunção, Bosingwa, Bruno Alves, Hulk, Falcão, e agora Varela e Ruben Micael.
Uma equipa como o F.C. Porto não pode ter no seu comando alguém tão destituído de génio quanto de coragem como é o caso do senhor Jesualdo. Pena não se ter seguido à risca a filosofia de nunca se manter um treinador por mais de 3 anos na liderança da equipa!…
O problema já era perceptível nas épocas anteriores — acontece que este ano a situação é agravada pelo facto evidente de a equipa sofrer de um enorme déficit de inteligência! Não há ninguém a pensar bem na equipa. A começar nos jogadores e a acabar no treinador! Quem tinha inteligência já saiu. Ficou a vontade, algum jeito de pés, mas mais nada.
É por isso que esta época, para além da Taça de Portugal, não haverá títulos no Dragão. A eliminação hoje em Londres é mais que esperada e na final da Taça da Liga com o Benfica só se espera que não haja goleada! Do campeonato, nem vale a pena falar!…
Professor (não sei bem de quê!): a Grécia espera por si!
Apagamento
Não tenho por hábito apagar pessoas da minha vida, mas também não costumo ter alguém apagado nela!
Fumo Sem Fogo
Sempre achei o Miguel Sousa Tavares uma figura interessante e partilho mesmo grande parte das posições e gostos dele. Penso que é um homem invulgarmente inteligente, culto e corajoso. E é isso que me leva hoje a escrever sobre ele, caso contrário não teria o denodo de o fazer.
Nunca embarquei nas falanges que o adulavam quando se encontrava na crista da onda – nem tive sequer interesse particular em ler algum dos seus romances. Isso não me fez, porém, diminuir em nada o respeito que sempre nutri por ele enquanto pessoa e jornalista.
E é por isso, também, que não me vou agora atirar ao homem, ao murro e ao pontapé, só porque se pôs a jeito e se encontra caído e à mercê.
Ninguém consegue evitar totalmente um momento aziago, nem deixar-se cair em tentação uma vez que seja na vida. Todos temos desafios com resultados menos felizes e o Miguel Sousa Tavares teve com o programa Sinais de Fogo o seu também.
Desconheço a quota de responsabilidade que tem na concepção e produção do programa, mas imagino que não seja pouca. Por isso, é a ele que não posso deixar de imputar a culpa de tão decepcionante resultado.
Está à vista de todos – e o consenso nos múltiplos comentários na web tornam isso muito evidente – que Sinais de Fogo é um retumbante fracasso. Um flop em toda a linha.
O formato do programa é simplório e demasiado visto, os temas bombasticamente anunciados são abordados ao de leve, as entrevistas, para além de mal preparadas, são abertamente tendenciosas, e, pior do que tudo, o Miguel Sousa Tavares não tem jeito nenhum para desempenhar o papel que um programa como estes exige!
Tão mau, que duvido aguente muito mais tempo no ar – a menos que a teimosia tão característica em MST o leve a vestir a pele de D. Quixote e continue a ver gigantes onde todos só vêm moinhos.
O Novo Logótipo da SONAE
É impressão só minha ou o novo logótipo da SONAE é mesmo um tremendo barrete?
Aquilo não lembra nem a um caloiro da ESAD!
Eu não sei ao certo quanto é que a coisa custou ao senhor engenheiro, mas a confirmar-se o valor que me chegou aos ouvidos, este é, para já, o barrete do milénio!!!
Conhecem o conto do “Rei Vai Nu”, não conhecem? Pois é exactamente o que aqui se passa: o Rei vaidoso tem por nome Belmiro de Azevedo e o alfaite trapaceiro é um senhor chamado Carlos Coelho!
As Entrevistas da Paris Review
Foi recentemente editado um livro que está a preencher deliciosamente todo o meu tempo livre.
Trata-se de uma colecção de 10 entrevistas feitas a outros tantos grandes escritores do séc. XX, realizadas nas décadas de 50 e 60 pela equipa da Paris Review.
Ao longo dos seus 56 anos de existência (o primeiro número tem data da Primavera de 1953), a revolucionária revista norte-americana tornou-se num marco para todos aqueles que, de uma maneira ou de outra, estejam ligados ao meio literário. A grande atracção e maior interesse de cada número residia quase sempre na entrevista feita a um escritor de renome internacional, ao ponto de estes textos terem sido considerados por muito boa gente como trabalhos literários de recorte clássico, por si só.
Completamente absorventes e muitas vezes divertidas, estas entrevistas, feitas por quem está por dentro do universo da arte literária, distinguem-se pelo facto de as perguntas serem muito pouco habituais – incidindo mais no “Como” e menos no “Porquê” usual.
A própria Paris Review já havia lançado no mercado norte-americano, através da editora Picador, uma colecção em 4 volumes com parte das conversas realizadas, mas o interesse particular desta edição é ela ter um filtro e um selo nacionais.
O prestigiado jornalista Carlos Vaz Marques levou a si a tarefa de seleccionar e traduzir os textos originais e ainda prefaciar o livro. A edição, extremamente cuidada, é da responsabilidade da Tinta-da-China e o bom-gosto da capa e das ilustrações devem-se a Vera Tavares.
Eu ainda só li as entrevistas feitas a E.M. Forster, Graham Greene e William Faulkner, mas já me bastam para considerar o livro como um dos lançamentos do ano. Os outros 7 autores entrevistados são Truman Capote, Jorge Luis Borges, Ernest Hemingway, Lawrence Durrell, Boris Pasternak, Saul Bellow e Jack Kerouac.
Absolutamente a não perder!
António Sérgio (1950-2009)
Dou-me muito bem com a Morte. Sinto só a dor que causa quando a sombra que a segue apaga alguém que me ilumina.
António Sérgio, o último dos lobos resistentes, foi durante muito tempo o meu farol da margem.
Se agora não ficamos às escuras, é porque teve, ele, outro mérito enorme: o de acender, no seu percurso, milhares de novas outras luzes!
[Notícia do Público, 02.Nov.2009]
[Texto de Miguel Esteves Cardoso, 17.Set.2007]
Visão
Visionário é aquele que consegue ver bem longe, sem perder de vista o que está à frente dos olhos.
Autárquicas 2009

Se nas eleições legislativas, quem saiu claramente vitorioso foi o BE e o CDS e quem saiu derrotado foi o PS e o PSD, apenas duas semanas depois, nas autárquicas, aconteceu precisamente o inverso!
Um regresso à normalidade, portanto, tal qual como a conhecemos das experiências do passado.
Aqueles que haviam visto nos resultados de há 15 dias a consolidação de uma nova representatividade das diferentes forças partidárias no país, porque não entenderam nada do que havia ocorrido, vão ter agora que rever todas as suas conclusões.
Numa outra vertente de interesse, estas eleições revelaram que o nosso povo, ao retirar o poder a algumas figuras sinistras do cenário político (Fátima Felgueiras, Ferreira Torres, Narciso Miranda), não é tão ignorante quanto todos os indicadores indiciam. É lento, muito lento, a reagir, mas acaba sempre por lá chegar. Pena que os povos de Gondomar e de Oeiras se encontrem num nível mais retrógrado de desenvolvimento!…
Nota final para a taxa de abstenção, que persiste em aumentar. O silêncio de todas as forças partidárias sobre o assunto é bem revelador da ameaça que aí pressentem existir, isto porque é cada vez mais evidente que esta inacção popular se trata de uma forma consciente de protesto ao actual status quo político e não um mero alheamento ligeiro e irresponsável. Perante um espectro elegível tão miserável, cada vez mais pessoas deixa de alinhar na fantasia do “votar no menos mau”, pois compreenderam que fazê-lo significa, tão só, sancionar esse mesmo espectro.
Circunstanciamento
A ideia de que somos vítimas das circunstâncias é uma mera aparência.
Somos nós quem circunstancia o que somos!
As Filhas Góticas de Zapatero
Na semana passada uma notícia correu mundo, mas, curiosamente, em Portugal passou quase despercebida.
O motivo de tal buzz teve a ver com a forma “ousada” como as filhas do primeiro-ministro espanhol se apresentaram com os pais no Metropolitan Museum of Art de Nova Iorque durante a recepção oficial oferecida pelo casal Obama aos chefes de estado participantes na 64ª Assembleia Geral da ONU.
Esse facto nada teria de mais, se uma das fotos que habitualmente se tiram pela ocasião não tivesse sido colocada no site oficial do Departamento de Estado americano.
A publicação da foto de imediato levantou uma onda de protestos e levou a que fosse retirada do site ao fim de algumas horas, ao mesmo tempo que era proibida a sua divulgação. Mas era tarde de mais – a imagem já havia corrido mundo e provocado as mais variadas e incompreensíveis reacções.
O casal Zapatero, ao abrigo da lei que salvaguarda a privacidade de menores, sempre proibiu qualquer divulgação pública de imagens das suas filhas (13 e 16 anos). Esse facto pode explicar, em parte, o choque vivido em Espanha por esta apresentação das crianças, desconhecidas até então, mas não justifica, de todo, o teor quase xenófobo da maioria dos comentários.
As reacções de censura só vêm evidenciar que a maioria das pessoas ainda não deu conta que o mundo e os seus modelos de vida mudaram e que esta mudança, no caso oportunamente apadrinhada pelos Obama, veio para ficar.
Que mal vem ao mundo que uma pessoa se apresente vestida desta ou daquela maneira, neste ou naquele lugar, sobretudo quando se trata de uma criança, seja ela filha do cozinheiro da cantina, do reitor da escola ou do ministro da educação? E que diferença faz fazê-lo em estilo gótico ou beto da linha? Não são a Doc Martens e a Tommy Hilfiger apenas marcas, ambas de culto?
É, em tudo, risível esta novela!
Quem não cresceu fantasticamente assombrado pela silhueta de Batman, ou já não terá lido, deliciosamente aterrorizado, um qualquer romance de William Blake, Lord Byron, Friedrich Niezsche ou Edgar Allan Poe? E se tivermos em conta que um dos realizadores mais bem sucedidos e cultivados da actualidade é um gótico convicto – falamos de Tim Burton –, e de que o seu actor fetiche, Johnny Depp, não renega essas mesmas convicções – isto para mencionar só duas ilustres personas dos nossos dias –, não deixa de ser irónica, e mesmo patética, toda esta celeuma. Ainda por cima vindo isto de onde vem – um dos locais mais visitados em todo o mundo é precisamente o Bairro Gótico, em Barcelona, e Gaudi – para muitos, o maior arquitecto espanhol de sempre – o principal revitalizador da arte gótica em Espanha.
Bem, estiveram os pais Zapatero, que lhes concederam o direito de livre afirmação e, ainda melhor, o casal Obama, que não viu nisso qualquer motivo para melindre.
[sobre a cultura gótica]
[ver foto a cores em alta resolução]
(Pre)ocupações
Os que ainda se preocupam com o supérfluo e o acessório, é porque nada têm de essencial ou substancial com que se ocupar!
Legislativas 2009
Por muitas voltas que os líderes partidários se empenhem em dar – e nós sabemos bem as voltas que se dão nestas alturas –, dos resultados das recentes eleições legislativas, há a tirar três conclusões óbvias.
A primeira, que o CDS e o Bloco de Esquerda sairam vencedores e que o PS e o PSD sairam derrotados!
A segunda, que houve um claro empenhamento dos portugueses em tudo fazer para se verem livres destes dois líderes do bloco central – uma tarefa impossível, dado que um teria, infelizmente, que permanecer sempre.
Finalmente, que aqueles que não foram votar, nos quais me incluo, já representam mais votos do que qualquer um dos partidos a eleger. Pode bem ser que um dia, estes votos, que são cada vez mais do contra, ainda levem alguém ao poder!
Desilusões
Não podemos acusar os outros de nos terem desiludido.
A ilusão é um acto da nossa única e inteira responsabilidade!
A Águia Nacional-Fantasista
É de bradar aos céus d’Allah, toda esta euforia bacoca em torno do clube dos 6 milhões de analfabetos funcionais (aqueles cujo presidente diz que “pelo peixe morre a boca”)!
Nem no tempo do império-por-cumprir o vermelho parecia tão en-carna-do (ainda que isto de ser lampião nunca passe da flor da pele)!
Ele é o “este ano é como no tempo do Eusébio”, o “a europa do futebol tem os olhos na Luz”, e até o pacóvio deslumbrado J.J. diz que “este ano, se nos deixarem, vamos ser campeões, bi-campeões e até tri-campeões!”.
Na verdade, com o tratamento de privilégio que está a ser dado ao Benfica e com tanto penalty forjado que já se vê e adivinha, admirará pouco que o velho Pantera Negra ainda venha a ser o Bota de Ouro desta época; não surpreenderá, da mesma forma, que a Europa do futebol se fixe na Luz – que a europa do benfica é a do Chipre, Turquia, Croácia e Macedónia e nestes também os momentos de glória são sempre fixados no canal Memória – e, por fim, ninguém pestanejará quando a Liga lhes atribuir um tri-campeonato já nesta época, pois com a falência do país que se anuncia, bem poderá nem haver campeonato nos tempos mais próximos e a coisa fica já resolvida sem mais escândalo!
Tivessem outros clubes beneficiado de metade desta ribalta, e o Braga teria ficado já o ano passado em terceiro, o Sporting ficaria de novo este ano em segundo, e o F.C. Porto seria sempre desde há 35 anos o campeão!
Manipulações
Este dom que algumas pessoas têm em iludir-nos permanentemente com histórias manipuladas, plenas de fé e esperança, devia levá-las ao cinema ou à literatura e não à gestão de um clube ou ao governo da nação!
Abuso de Poder
Como é que é possível haver uma pessoa que, depois de ter sido privativa e publicamente usada e abusada, anos a fio, ainda suporta o autor de tais sevícias?
Só mesmo alguém muito ignorante e sem pingo de coragem o pode permitir e aceitar.
Há-os, nós sabemos, em todos os tempos! De maneira que – sempre achei – quem assim age, merece tudo o que lhe couber!
Encantamentos
Enquanto as pessoas, dia após dia, continuarem a contemplar o Sol como se fosse este a rolar à volta da Terra, continuarão a ser enroladas, diariamente, sem contemplação!






















